Estranhamente fascinante, Anomalisa é a primeira animação voltada para o público adulto a disputar o Oscar de Melhor Animação. Entre concorrentes como o brasileiro O menino e o mundo e o queridinho Divertida Mente pela estatueta de 2016, Anomalisa retrata a história de Michael Stone, apático autor de um best-seller sobre Atendimento ao Consumidor, que, ao visitar a cidade de Cincinnati (EUA) para dar uma palestra motivacional, reencontra Bella, sua ex-namorada, de forma desastrosa e se apaixona por Lisa, uma de suas fãs, tudo isso em apenas uma noite.

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O filme é um stop motion escrito por Charlie Kaufman e dirigido por ele mesmo e Duke Johnson, especialista em animação, união que acredito ter sido fundamental para proporcionar à Anomalisa o seu status de “brilhanteza” e sua aprovação de 90% no Rotten Tomatoes, maior site de críticos de cinema. Com a competência técnica de Johnson e a particularidade dos personagens de Kaufman, como em O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, a animação consegue retratar a angústia do homem moderno em encontrar o amor e viver momentos genuínos com pessoas verdadeiras, ao apresentar situações e diálogos realistas com leveza e seriedade na medida certa.

Um dos recursos interessantes do filme é que os bonecos não possuem o rosto completo, em uma única peça. O rosto é dividido na altura da orelha e dos olhos, o que dá a impressão de que ele poderá se soltar ou modificar-se a qualquer momento. O que aparentemente é intencional, visto que o protagonista apresenta o distúrbio Ilusão de Fregoli, paranoia que faz que a pessoa desconstrua a individualidade de pessoas, objetos, lugares, acreditando que todo mundo possui o mesmo rosto ou os mesmos hábitos, falas, etc. The Fregoli, inclusive, é o nome do hotel no qual Michael Stone se hospeda, e o rosto e a voz de sua ex-namorada, Bella (dublada pelo ator Tom Noonan), estão presentes em todos os personagens menos em Michael e Lisa (dublados por David Thewlis e Jennifer Jason Leigh). Ficou curioso para saber como ficou? Confira o trailer!

Não é por nada não, mas o filme ficou lindo! Veja algumas imagens da animação e do “making of”:

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pontosfortes
John Joyce, designer de produção, realizou um excelente trabalho na construção dos cenários e nos bonecos dos personagens. Os bonecos ficaram com corpos e expressões extremamente realistas, ainda mais nas cenas em que mostra Michael tomando banho e fazendo sexo com Lisa. Aliás, este é outro ponto forte.

Anomalisa consegue provar que o stop motion não precisa ser utilizado para fazer filmes infantis e que com personagens reais em situações cotidianas, às vezes esquisitas e constrangedoras, é possível criar uma relação de profunda imersão do espectador na história.

Utilizar o rosto da personagem de Bella, ex-namorada do Michael, em todos os outros personagens e o ator Tom Noonan para dublar todos eles também foi uma ideia fantástica para retratar os distúrbios psicológicos do protagonista.

pontosfracos
Charlie Kaufman pecou em não aprofundar a história e a origem dos distúrbios de Michael Stone. Pode ter sido intencional, para que o espectador tire suas próprias conclusões, mas mesmo com um final fantástico e revelador, acredito que Kaufman poderia ter explorado melhor a história, que por sinal tinha muito potencial. O começo também é um pouco confuso, demora para o espectador entender o que está acontecendo.

nota
8,5
Vale a pena ver uma vez e se bobear até duas, pois o filme é daqueles que você termina de assistir e após algumas horas proporciona inúmeras reflexões e teorias. É uma animação muito bem feita!

 

Autor Ana Paula

Publicitária formada, aspirante a artista plástica, gnomo de jardim e pintora de rodapé nas horas vagas.

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